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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Vegetarianismo 2 - Vencer os argumentos contra

A primeira coisa que muitas pessoas me dizem quando digo que sou vegetariana em transição é: «Ah, gostava tanto, mas é difícil...».
Geralmente, segue-se a esta introdução a justificação de tal dificuldade. É neste momento que eu, se para aí estiver virada, vou começar a dar uma de esperta e a deitar abaixo os argumentos até que, eventualmente, o meu interlocutor me despacha com um envergonhado: «Pois...» e muda de assunto antes que eu tenha tempo de articular mais alguma coisa.

Dito isto, normalmente, esses argumentos para não se aderir ao vegetarianismo são os seguintes:

1. É difícil
2. É caro
3. Não sei por onde começar
4. O meu/minha namorado/namorada/marido/mulher não quer e depois é difícil fazer duas comidas

Começando pelo primeiro, na verdade o mais difícil de rebater, uma vez que é não é exactamente um argumento, mas mais um problema filosófico, o que faço é mergulhar no canto escuro do meu cérebro onde, surpreendentemente, pareço ter armazenado alguma da filosofia que dei no secundário e respondo aplicando na perfeição o Princípio do Terceiro Excluído, produzindo um curto «Não é nada!» E a verdade é que não é. Inclui uma mudança de hábitos e alguma organização, pelo menos, inicialmente, mas depende da maneira como se faz. Para alguns é mais fácil mergulhar de cabeça, para outros, como eu, a transição gradual é mais simples, mas do «por onde começar» falarei mais adiante.

Quanto a ser caro, efectivamente, no começo é. São necessários uma série de produtos que quem come carne ou peixe normalmente não tem na sua despensa e muitos são importados ficando à partida mais caros. Mas dou um exemplo: uma embalagem de 500 g de quinoa (must have da alimentação vegetariana) custa aproximadamente 4 euros e dá para 8 a 10 doses, ficando cada uma entre 40 a 50 cêntimos. Sim, é mais do que uma embalagem de arroz, mas muito mais nutritiva (tem o dobro das proteínas e muita fibra).

Quanto a não saber por onde começar, sim, é confuso começar, porque tal como disse, é uma mudança de hábitos, mudar hábitos gera sempre alguma ansiedade. No entanto, às vezes é bom ver a smaller picture em vez da bigger picture. Quando andava na faculdade tive uma cadeira sobre gestão e inovação. Lá fizemos estudos de casos de sucesso, de decisões de gestão que podiam fazer a diferença. Um dos que me recordo perfeitamente foi o de uma empresa de aviação que poupou milhares de dólares ao retirar uma azeitona de cada salada que servia, o que é extremamente interessante mas que eu podia saber há mais tempo se tomasse atenção ao que os meus pais me diziam. Eles sempre me ensinaram que devagar se vai longe; todas as viagens começam começam com um passo; grão a grão enche a galinha o papo, etc., etc.
Não estou a fugir do tema, para mim funcionou simplesmente começar a substituir refeições.
Procurei receitas de pequenos-almoços, encontrei um que funcionava e mantive-me com ele, variando de vez em quando. Quando já me sentia confortável, comecei a procurar receitas de refeições e ia experimentando para ver o que funcionava. E assim por diante. Até a comida vegetariana se tornar rotineira.

 Quanto à última razão. Ok, eu percebo. O meu namorado adora carne e torce o nariz à comida vegetariana, então há três maneiras de resolver:
a) enganá-lo;
b) distraí-lo;
c) fazer-lhe a vontade.

Para ser sincera, c) é mesmo a mais difícil, mas as duas primeiras funcionam bem. A) não é tão má como parece. Consiste em usar produtos que simulem a consistência da carne. Cogumelos frescos, tofu ou seitã cumprem perfeitamente o papel. B) implica jogo de cintura, mas, se em casa quem cozinha é o vegetariano, podem safar-se com esta durante muito tempo até que a outra pessoa perceba o que está a acontecer. Num dia uma sopa, noutro dia uns rolinhos de legumes com vegetais e uma salada nutritiva, e quando ele/ela der por isso, não consome carne há duas semanas. Quando nenhuma destas funcionar, aplicar C). Muitas vezes é possível criar um prato com uma base comum e fazer algumas substituições que assegurem que toda a gente fica contente.

Muito importante: Não aconselho ninguém a embarcar numa dieta totalmente vegetariana sem se aconselhar com um médico. Não sou médica, claramente, portanto abstenho-me de fazer comentários nesse domínio.