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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Informática e Humanidades e Algoritmos para totós

Aqui há uns tempos estava num jantar com um grupo de amigos. A maior parte dos meus amigos mais recentes são de Informática ou de Humanidades, nomeadamente linguistas, por ser essa a minha formação, mas também pessoas de Línguas e Literaturas. Os informáticos vêm do meu passado de frequentadora (pouco assídua) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do facto de o meu namorado ser, também ele, informático.

No meio de fragmentos frásicos dispersos, ouvi alguém dizer qualquer coisa como: «É por isso que a maioria das namoradas de informáticos são de Psicologia ou de Humanidades, só elas é que os aguentam!».

Alguém disse que o maior dom é saber explicar conceitos complexos através de palavras simples, e até hoje, não sei exactamente quem lançou esta pérola de sabedoria no meio da confusão, mas é, definitivamente, um génio.

Acabei por verificar que assim é, a maioria (ou, pelo menos, muitos) dos informáticos têm namoradas da área das Humanidades. E, como boa investigadora que sou, lancei um estudo aprofundado do tema. Venho, deste modo, apresentar as minhas conclusões.

Um dos conceitos básicos da informática é o conceito de algoritmo, um algoritmo é um procedimento automático para uma determinada tarefa.

Imaginemos que tínhamos a pessoa mais idiota do planeta e queríamos que ela nos fizesse, qualquer coisa. Só porque sim, recorrerei à culinária. Imaginemos que queríamos uma gemada e não nos queríamos levantar do sofá porque estava a dar o Say Yes to the Dress e, neste mundo, não existia o restart TV nem o botão de Pause.

O único recurso ao nosso dispor é, sei lá, o namorado. Mas ele nunca fez uma gemada, e normalmente, não funciona bem deixá-lo sozinho na cozinha, portanto, vamos dar-lhe uma série de instruções a seguir, de modo a obtermos o resultado que queremos, e só aquilo que queremos, sem danos colaterais.

Escrevemos num papel:
1 - Tira um ovo do frigorífico
2 - Tira uma chávena do armário
3 - Bate com o ovo na esquina do lava-louças
4 - Deita a gema na chávena
5 - Deita o resto no lixo 
6 - Tira o acúçar branco do armário
7 - Coloca duas colheres de açúcar na mesma chávena da gema
8 - Tira uma colher da gaveta
9 - Mexe vigorosamente a gemada
10 - Pára de mexer quando ficar cremosa

Este algoritmo não está perfeito, nomeadamente, não lhe disse que a colher tinha que ser de sobremesa e não lhe expliquei o que é uma colher de sobremesa, mas, para o efeito, funciona.

À partida, seguindo este procedimento, o vosso namorado voltaria com a gemada que tanto vos apetecia, e vocês não teriam um ataque histérico quando entrassem na cozinha.

Agora, imaginem que não havia açúcar branco. De acordo com este algoritmo, vocês nunca iriam ter uma gemada e, muito possivelmente, o vosso namorado nunca voltaria da cozinha.

Como ele nunca voltava e até já tinha acabado o Say Yes to the Dress,  vocês levantavam-se e iam à cozinha para encontrar o vosso mais que tudo encolhido e a balançar-se para a frente e para trás agarrado ao papel.

O que fariam ao vê-lo naquela aflição? Eu diria: «Não faz mal, usa o açúcar castanho...»

E é isto, a minha teoria consiste apenas nisto. Os informáticos estão tão habituados a viver num mundo de algoritmos, que às vezes precisam que alguém lhes diga para usar o outro açúcar e, para isso, têm as suas raparigas das Humanidades.