Páginas

quinta-feira, 27 de junho de 2013

«Se faço greve e ninguém vê, então fiz greve?» ou o trabalho precário

Hoje estou em greve. Não, não estou, a greve é um luxo só de alguns. Não tenho contrato, não tenho horário, e trabalho num escritório escondida atrás de uma secretária. Ninguém me vê.

Pior, hoje nem os meus colegas me vêem. Não estão cá, não tinham como cá chegar. Até podia fazer greve, mas para quê? Ninguém ia saber.

E pode-se pensar: «Ooohhh, queixas-te de barriga cheia, não tens horário, chegas e sais à hora que quiseres!»

Sim, é bom, mas quem o diz claramente não pensa nas implicações disto. Não tenho contrato, logo não tenho vínculo laboral, logo, não tenho direitos. E ao contrário do que parece, continuo a ter obrigações, não tenho obrigação de chegar às 9h mas tenho obrigação de apresentar o meu trabalho feito quando mo pedem.

Trabalho, mas não tenho emprego; aprendo e evoluo, mas não tenho uma carreira; fico doente mas não tenho protecção; trabalhei no passado, trabalho no presente, mas não posso pensar no futuro.

Quem sou eu?
Sou o infame bolseiro de investigação.