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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Época alta de incêndios

Hoje está calor. Aliás, nos últimos dias tem estado muito calor. Isto não é novidade, toda a gente reparou. Se não reparou, provavelmente vive debaixo de uma pedra, sem aspas, porque deve viver literalmente debaixo de uma pedra, uma vez que deve ser dos poucos sítios onde ainda está fresco.

Há para aí uns estudos que dizem que o calor aumenta a agressividade das pessoas, e eu acredito. Aqui há uns tempos li O estrangeiro do Camus, onde a personagem principal mata um homem sob o efeito do calor intenso. Não digo que o calor me faça ter vontade de matar pessoas, mas, definitivamente, deixa-me fora de mim.

Nesta altura até tenho dificuldade em ver telejornais. Apesar de não serem propriamente catástrofes naturais, os incêndios são, para mim, a pior das consequências das condições climáticas, se bem que, em muitos casos, têm a ajuda de um dedinho muito humano.

Ao contrário dos furacões, tempestades, etc. que acabam por passar, um incêndio pode arder quase indefinidamente destruindo tudo no seu caminho: floresta, animais, casas pessoas. Felizmente, em Portugal, ainda é notícia quando um bombeiro sofre ferimentos no seu trabalho, significa que não deve ser tão frequente quanto isso.

Ninguém me perguntou, mas eu tenho que dizer. Estamos numa crise de prioridades. Como é que, a algo com um efeito tão nefasto a nível ecológico, económico e social, se pode atribuir tão poucos recursos? Como é que é possível que as pessoas que combatem os fogos tenham que o fazer mal equipados?

Quem me conhece sabe que, se há uma coisa em que acredito, é que o nível de civilização de uma sociedade se mede pela maneira como protege os mais vulneráveis: os idosos, as crianças, os deficientes. Eu incluo nesta categoria um bombeiro no momento em que luta contra um fogo, e acho que a maneira como a sociedade portuguesa tem vindo a deixar cada vez mais desprotegidos os seus cidadãos em perigo é sintomática de um decrescer do nosso nível civilizacional que tem que ser revertido, sob pena de regressarmos à Idade Média.